Recid

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Sex, 06 de Agosto de 2010 22:36

[Frei Betto] Desigualdade social no Brasil

Escrito por  Equipe de Comunicação
Avalie este artigo
(34 votos)

Em artigo publicado no Brasil de Fato no mês de agosto, Frei Betto analisa o relatório da ONU divulgado em julho que aponta o país como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo.

Relatório da ONU (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Pnud), divulgado em julho, aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Quanto à distância entre pobres e ricos, nosso país empata com o Equador e só fica atrás de Bolívia, Haiti, Madagáscar, Camarões, Tailândia e África do Sul.

Aqui temos uma das piores distribuições de renda do planeta. Entre os 15 países com maior diferença entre ricos e pobres, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Mulheres (que recebem salários menores que os homens), negros e indígenas são os mais afetados pela desigualdade social. No Brasil, apenas 5,1% dos brancos sobrevivem com o equivalente a US$ 30 por mês (cerca de R$ 54) O percentual sobe para 10,6% em relação a índios e negros.

Na América Latina, há menos desigualdade na Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai. A ONU aponta como principais causas da disparidade social a falta de acesso à educação, a política fiscal injusta, os baixos salários e a dificuldade de dispor de serviços básicos, como saúde, saneamento e transporte.

É verdade que nos últimos 10 anos o governo brasileiro investiu na redução da miséria. Nem por isso se conseguiu evitar que a desigualdade se propague entre as futuras gerações.

Segundo a ONU, 58% da população brasileira mantêm o mesmo perfil social de pobreza entre duas gerações. No Canadá e países escandinavos, esse índice é de 19%.

O que permite a redução da desigualdade é, em especial, o acesso à educação de qualidade. No Brasil, em cada grupo de 100 habitantes, apenas nove possuem diploma universitário.

Basta dizer que, a cada ano, 130 mil jovens, em todo o Brasil, ingressam nos cursos de engenharia.

Sobram 50 mil vagas. E apenas 30 mil chegam a se formar.

Os demais desistem por falta de capacidade para prosseguir os estudos, de recursos para pagar a mensalidade ou necessidade de abandonar o curso para garantir um lugar no mercado de trabalho.

Nas eleições deste ano votarão 135 milhões de brasileiros. Dos quais, 53% não terminaram o ensino fundamental. Que futuro terá este país se a sangria da desescolaridade não for estancada? Há, sim, melhoras em nosso país. Entre 2001 e 2008, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais rapidamente que a dos 10% mais ricos. A dos ricos cresceu 11,2%; a dos pobres, 72%. No entanto, há 25 anos, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esse índice não muda: metade da renda total do Brasil está em mãos dos 10% mais ricos do país. E os 50% mais pobres dividem entre si apenas 10% da riqueza nacional.

Para operar uma drástica redução na desigualdade imperante em nosso país é urgente promover a reforma agrária e multiplicar os mecanismos de transferência de renda, como a Previdência Social. Hoje, 81,2 milhões de brasileiros são beneficiados pelo sistema previdenciário, que promove de fato distribuição de renda.

Mais da metade da população do Brasil detém menos de 3% das propriedades rurais.

E apenas 46 mil proprietários são donos de metade das terras. Nossa estrutura fundiária é a mesma desde o Brasil império! E quem dá emprego no campo não é o latifúndio nem o agronegócio, é a agricultura familiar, que ocupa apenas 24% das terras mas emprega 75% dos trabalhadores rurais.

Hoje, os programas de transferência de renda do governo incluindo assistência social, Bolsa Família e aposentadorias representam 20% do total da renda das famílias brasileiras. Em 2008, 18,7 milhões de pessoas viviam com menos de 1/4 do salário mínimo. Se não fossem as políticas de transferência, seriam 40,5 milhões. Isso significa que, nesses últimos anos, o governo Lula tirou da miséria 21,8 milhões de pessoas.

Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam transferência de renda.

Em 2008 eram 58,3%.

É uma falácia dizer que, ao promover transferência de renda, o governo está sustentando vagabundos. O governo sustenta vagabundos quando não pune os corruptos, o nepotismo, as licitações fajutas, a malversação de dinheiro público. Transferir renda aos mais pobres é dever, em especial num país em que o governo irriga o mercado financeiro engordando a fortuna dos especuladores que nada produzem. A questão reside em ensinar a pescar, em vez de dar o peixe.

Entenda-se: encontrar a porta de saída do Bolsa Família.

Todas as pesquisas comprovam que os mais pobres, ao obterem um pouco mais de renda, investem em qualidade de vida, como saúde, educação e moradia. O Brasil é rico, mas não é justo.

Fonte: Brasil de Fato.

7 Comentários

  • Link de Comentário Raquel Qui, 22 de Setembro de 2011 14:43 postado por Raquel

    O texto de Frei Beto nos faz refletir sobre a situação economica das familias no Brasi. De fato muitos ja consegiuram sair da miséria devido seus esforços e economia que puderam envestir o que ganha nos seus estudos e moradia, tem gente que consegue planejar ou fazer um orçamento familiar e priorizar seus gastos investido no seu futuro e melhorando sua vida profissional. Mas temos muita gente ainda na miseria lutando por melhores condições de vida.

  • Link de Comentário welington Alves Ter, 21 de Dezembro de 2010 00:26 postado por welington Alves

    Eu gostei muito da analise feita por Frei Betto pois o pais quer crese não pode ter tantas desigualdades que tem no Brasil,ou seja são muitos trabalhando é a outra parte da sociedade sendo beneficiada.

  • Link de Comentário drielly oliveira Sex, 19 de Novembro de 2010 00:01 postado por drielly oliveira

    a desigualdade social precisa da ajuda dos politicos para q isso ñ prejudique as ffamilias e o brasil

  • Link de Comentário Alee Ter, 26 de Outubro de 2010 14:59 postado por Alee

    Digite aqui sua mensagem...

  • Link de Comentário Alee Ter, 26 de Outubro de 2010 14:57 postado por Alee

    Infelismente é esse o nosso Brasil... ¨ Muitos com pouco e poucos com muito¨, e o pior é que essa situação parace que nunca mudará pois, tudo começa exatamente dos nossos governadores... que não se interessam pelos problemas da população mais carente!

  • Link de Comentário MARIA DO SOCORRO MARQUES LIMA Qui, 14 de Outubro de 2010 19:52 postado por MARIA DO SOCORRO MARQUES LIMA

    O Bolsa família ameniza um pouco a vida das famílias, mas não é o suficiente, seria legal mesmo que essas famílias tivessem emprego para grantir o futuro da criança que vai crescer, e aí o que fazer? aos 17 anos que o filho menor tiver literalmente é cortado, então a tendencia é ir para as ruas ao abandonar os estudos é bem maior, sempre acreditei nesse principio: Q uem dá dinheiro não dá futuro ok? DEIXO MEU RECADO, BEIJOS///

  • Link de Comentário GGG Qua, 08 de Setembro de 2010 23:01 postado por GGG

    ahushasu quem diz k bolsa familia ajuda alguem a melhorar de vida, aki em minha cidade as pessoas usam pra comprar bebidas alcoolicas, ou algum tipo de droga !!! ahsuahsu tao por fora

Deixe um comentário