Amigos de Rede,
Conheçam a seguir a publicação "Sem cercas e muros", uma análise pedagógica sobre os aprendizados produzidos nas oficinas de formação realizadas pelos coletivos da RECID nos estados. Oficinas desenvolvidas com a força e o diálogo entre companheiros/as de luta inseridos em um processo de transformação da realidade do qual somos todos agentes.
Boa leitura e reflexão para novos momentos de enfrentamento e avanço!"Discutir aspectos relativos às ações afirmativas, especialmente cotas raciais, e oferecer argumentos favoráveis à sua adoção são os objetivos desta cartilha. A presente publicação é fruto dos primeiros debates de uma longa série ocorridos nos meses de maio e junho de 2005, em escolas públicas e particulares na cidade do Rio de Janeiro, e que continuam ocorrendo, neste segundo momento, também nos cursos pré-vestibulares comunitários. O crescimento da demanda por rodas de conversa sobre cotas raciais nos apontou a necessidade de produzir um instrumento que levasse ao público argumentos a favor dessa política, ao contrário do que usualmente se veicula na grande mídia, estimulando e qualificando o debate..."
Para continuar lendo, baixe a cartilha Cotas raciais: por que sim? no link que segue.
Compas, em um esforço conjunto, como de práxi na Rede, reunimos o material de preparação para nossa 1ª Reunião Ampliada de 2012 e os documentos que dela resultaram:
Novas trilhas a serem abertas rumo aos nossos ensejos. Obstáculos existem e o caminhar costuma nos mostra os meios para vencê-los. Contamos com os coletivos estaduais para que nos enviem seus Planos de Trabalho para podemos divulgá-los em nossa Comunicoteca. Mãos à obra e à luta!
Equipe de Comunicação
Luna Romi, que significa lua cigana (como brasileira, ela se chama Vanesca Duarte) fezuma festa no VIII Encontro Regional Centro-Oeste da Rede de Educação Cidadã (RECID) emGoiânia, GO. A cozinha do Instituto São Francisco de Assis transformou-se num sacrário decheiros, sabores e encantamentos. Vestida de acordo com a cultura cigana, Luna fez umaoficina para explicar aos cozinheiros participantes como se fazia cada prato, como prepará-los, qual o significado e o ritual a serem seguidos. Eu, observador e bom provador decomidas e bebidas, anotei as coisas mais importantes.
A base da cozinha e comida ciganas são o pão, o vinho e a fruta. Jamais podem faltar.O pão, monrom romai representa a família, a comunidade. O vinho é o sangue de Jesus,simbolizando a proteção espiritual. A fruta é a terra, a pátria. A forma ou o jeito decombinar os três ingredientes básicos depende de cada grupo cigano. No caso de LunaRomi, sua mãe vem de um clã de ciganos, Caldarash, da França. O pai é Calon, ciganosespanhóis da Andaluzia.
O chai romanô é o chá cigano, bebida sagrada do povo cigano. É feito de vinho suave,com suco de laranja acompanhado por especiarias como cravo, canela, aniz estrelado,alecrim, sálvia, hortelã, mais açúcar melado. Imaginem o cheiro, o aroma exalados nacozinha! A primeira coisa que qualquer criança aprende é fazer pão e o chairomai.
Rezo romai é o arroz cigano. Há três formas ou tipos. O de acampamento, que é forte,feito com gengibre. O volimô, o arroz do amor, feito para os noivos, que é com frango,flores e pétalas de rosa. E o de festa, que comemos em Goiânia, de duas formas: comcarne vermelha ou branca, mais dois tipos de fruta, maçã ou banana, queijo e batatapalha; ou como parillada, com carne de cabrito, ovelha ou porco, na forma de paella.
Servir os três pratos segue um ritual. Primeiro, o pão é repartido numa roda, sendoque cada um serve um pedaço para quem está à sua direita e diz-lhe uma palavra comodesejo. Depois, vai-se para o rezo romai (arroz cigano) e o chai romainô (chá).
O Encontro da RECID Centro-Oeste, com participação de 50 educadoras e educadoraspopulares e lideranças sociais da região, foi neste clima de respeito às culturas e deconhecimento dos valores das comunidades tradicionais. O tema geral era: Processohistórico da resistência popular e a estratégia de atuação da RECID no Centro-Oeste. Olema: Memórias do caminhar tecendo o poder popular!
O relatório-síntese do Encontro diz:“Não se tratou de ver o não visto e muito menosexperimentar a primeira emoção de um beijo, mas sim, como diz a primeira frase do texto-base, ‘é nas coisas da estrada a chegada’. Esse texto já é a estrada da RECID nascontribuições cotidianas e históricas. Ela nos evoca a reavaliar e planejar o que mais parafrente organicamente queremos. Como não vivemos ‘um tempo de pura espera’,trabalhemos para que esse espaço seja algo inesperado, mas organizado, para
vivenciarmos tanto a mística da militância quanto a mística da transformação social.
No debate sobre eixos, estratégia e tática, o assessor José Antônio Moroni “trouxeuma fala bem problematizadora: ‘antes de tudo, temos que pensar sempre o que nãoqueremos, porque tanto a tática quanto a estratégia mudam com o tempo, e a históriapode nos ensinar o que não fazer’. O tempo parece ter ensinado várias coisas. Uma é ‘nãocolocar o carro na frente dos bois’, como disse uma educadora de Goiânia”.
A realidade na região Centro-oeste não é fácil nem simples. Nas palavras da RECID-DF,o modelo de urbanização adotado em Brasília seguiu o modelo empregado no Brasil.Mesmo sendo uma cidade planejada, a conjuntura sócio-espacial não difere tanto, em suaessência, de outras metrópoles. Dentro deste contexto, as cidades, a infra-estruturaoferecida e a própria renda sofreram espacializações segregantes. Como o Distrito Federaltornou-se solução para as populações do seu Entorno, Estado de Goiás, um fluxomigratrório pendular se direciona para localidades dentro do quadrilátero, algo que não seencontra nas cidades de origem.
Já o Ma to Grosso, no relato da RECID-MT, sofre os problemas dos inchaços dascidades, com a migração de pessoas que estão em áreas onde há construção de usinashidrelétricas, o que aumentao número de pessoas em vulnerabilidade social e em situaçãode risco. Além disso, o desmatamento e a forma de produção impactam o rio Paraguai.Assoreamento e insumos como agrotóxicos – Mato Grosso é um dos estados que maisutilizam agrotóxicos –descem por ele e se distribuem pelas áreas alagáveis do Pantanal,contaminando as águas e causando prejuízos ao estilo de vida das populações tradicionais.
No Mato Grosso do Sul, segundo a RECID-MS, as multinacionais estão arrendando ecomprando terras – o que, de um lado, é ilegal, de outro, elas aproveitam-se dosassentamentos e ainda destróem a natureza. E há uma hegemonia no poder local dastendências do campo da direita conservadora.
Em Goiás, de acordo com a RECID-GO, há duas políticas centrais do governo estadual.A primeirano campo da segurança pública, que atua fortemente, criminalizando a pobrezae os movimentos sociais. A segunda no campo da reforma administrativa do Estado, quepassa pela privatização de 19 empresas e órgãos públicos, inclusive na área da saúde e dasegurança pública.
Diante deste quadro conjuntural, a RECID Centro-Oeste, enquanto região e em cadaEstado, atua junto aos movimentos sociais, associações e comunidades de base, comoatividades de formação, resistência e combate em temas como moradia, transporte,violência e extermínio da juventude; luta na defesa dos direitos humanos, na formação demulheresvítimas de violência, com famílias de dependentes químicos, com quilombolas eindígenas camponeses assentados e acampados; mobiliza as comunidades para resgatar acultura tradicional, como Feiras locais no próprio bairro e construção de hortascomunitárias; promove a formação com pessoas que recebem o Bolsa Família; apóia aslutas pelas reformas política, agrária e tributária; apóia campanha permanente contra osagrotóxicos e pela valorização da agricultura familiar e camponesa; incentiva políticaspúblicas com participação popular.
A partir do VIII Encontro, a RECID Centro-Oeste propõe: trabalhar a educaçãopopular como política pública; expor nos conteúdos e direcionar apoio a ações comoa Lei Maria da Penha, enfrentamento da homofobia e a função social da maternidade;fomentar jornadas de formação vinculadas a lutas e mobilizações nacionais; trabalharcom novas formas de abraçar e interagir com novas Redes; fomentar e construir lutaspopulares trabalhando instrumentos de mobilização e comunicação; realizar Semináriopara debater o modelo de desenvolvimento e a erradicação da miséria; realizar Semináriopara aprofundar a metodologia de educação popular.
Os aromas do monrom romai (pão), do rezo romai (arroz cigano) e do chai romanô(chá com vinho) e da dança cigana e leitura de mãos feitas por Luna Romi acompanharame abençoaram todo Encontro.
Em tempo: Numa oficina de formação, feita pela RECID no Mato Grosso doSul, ciganos e ciganas, segundo Luna, abriram o coração, dizendo de suas angústias edemandas. Querem educação; não querem mais ser analfabetos, eles que muitas vezessão discriminados na escola formal. Eles são um povo, com seus costumes, tradições,valores e história, e assim querem ser reconhecidos e respeitados em seus direitos.
Selvino Heck
Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República
Em dezesseis de março de dois mil e doze
Está se aproximando o Dia Internacional de Luta Pela Eliminação da Discriminação Racial e, não tão próximo como o 21 de março, também se aproximam as eleições. Resolvi, então, propor uma reflexão.
Atualmente as Forças Armadas Brasileiras estão no Haiti comandando a missão de pacificar um povo que se rebela contra a sua condição de miséria. É o governo brasileiro comandando a opressão contra o Haiti. Haiti: o primeiro país no mundo a por fim à escravidão de africanas e africanos. Brasil: o ultimo país do mundo a abolir o sistema escravista. Esse é mesmo um Estado comprometido com a opressão. Como uma colônia francesa, o Haiti sofria influencia de tudo que acontecia na França, inclusive a revolução. As tais “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” foram entendidas e almejadas pelos escravos daquela ilha, que, sem ter representantes em parlamento, só dispunham de suas próprias mobilização, organização e luta.
Você chega em qualquer lugar, em qualquer canto, em qualquer repartição, em qualquer banco, em qualquer ônibus, em qualquer Palácio, em qualquer escritório, lá está uma mulher trabalhando, lá estão mulheres mostrando que foi-se o tempo em que o preconceito e o machismo eram mais fortes e elas eram ‘do lar’. Hoje estão na presidência da Petrobrás, estão no Supremo Tribunal Federal, hoje jogam futebol, são agricultoras, ministras, hoje são juízas de direito e de campo, engenheiras, mestres de obra, hoje são médicas, professoras, empresárias, reitoras, motoristas, deputadas, prefeitas, vereadoras, astronautas, governadoras, mecânicas, procuradoras, jornalistas, hoje são Presidenta da República, pois sim!
Fonte: Observatório da Diversidade/ Instituto Terramar/ GT Combate ao Racismo Ambiental
A Cartilha “Orientações e informações para a defesa dos Povos, de seus territórios e à liberdade” é uma realização do GT Combate ao Racismo Ambiental da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, produzida pelo Instituto Terramar e pela Rede Nacional de Advogados/as Populares.A publicação representa um instrumento de luta e defesa dos povos e comunidades que enfrentam conflitos com os poderes econômicos e políticos, pois contém informações sobre acesso à justiça, organização de informações, dicas e sugestões para a mobilização social em defesa dos povos e de seus territórios.
Parabéns Gouveia!
Muito bom te encontrar na rede. Quero ouvir…
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