O Seminário foi organizado pela Rede de Educação Cidadã do Distrito Federal e Entorno (RECID-DFE) e Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (SEDEST) e contou com a participação de mais de 30 organizações que trabalham com Educação Popular e movimentos sociais que atuam no campo e na cidade, além de secretários de estado e funcionários do Governo do Distrito Federal (GDF).
O objetivo do encontro foi o de construir um diálogo entre organizações, movimentos, sociedade civil e governo do Distrito Federal, tendo como horizonte a construção de políticas públicas orientadas pela Educação Popular para o trabalho com pessoas e famílias usuárias/envolvidas nos programas sociais no DF.
O trabalho de articulação começou quando os novos gestores da SEDEST convidaram a RECID-DFE para colaborar no processo de construção de políticas públicas que dialogasse com diversos agentes que trabalham com famílias em situação de opressão e que participam de algum programa de transferência de renda gerido pela secretaria, GDF e programas federais que se aproximam desta perspectiva.
A RECID, que tem como espinha dorsal de suas atividades a Educação Popular Crítico-Freireana e um projeto político pedagógico com princípios e diretrizes que caminham para a construção do Poder Popular, aceitou encarar o desafio e trabalhou no sentido de articular várias organizações para um diálogo que possibilite a construção coletiva de propostas para a efetivação de políticas públicas com uma perspectiva transformadora e emancipatória.
A grande referência do trabalho articulado e realizado pela RECID-DFE no ano de 2010 foi a Escola de Educação Popular, espaço formativo que conta com a participação de vários coletivos do DF e teve suas atividades organizadas em módulos que abordam teoria e prática a partir de uma metodologia Crítico-Freireana. Essa atividade, somada a outras ações locais e nacionais da Rede, como a participação ativa na Conferência Nacional de Educação e a realização de mais de duas mil oficinas em todos os estados do país, podem ser apontados como alguns dos motivos para a SEDEST ter realizado esse convite e ter a Rede como uma parceira diante desse desafio. Outro ponto a ser destacado tem sido sua grande capacidade de articulação com diversos atores e movimentos a partir da prática constante do diálogo e da ênfase em relações horizontais e construções coletivas.
Foi com esta perspectiva que foi construída e proposta toda a metodologia do Seminário, buscando assegurar que todos os participantes pudessem ser ouvidos e que suas experiências fossem compartilhadas. O início das atividades foi uma apresentação de cada organização e suas ações. Na seqüência, dividiu-se os participantes em 6 grupos com o objetivo de se discutir Avanços, Contradições e Possibilidades/Desafios tanto do Trabalho de Base nas localidades quando das ações desenvolvidas por governos.
Após a apresentação do que cada um dos 6 grupos levantou, foi realizada uma mesa com os recém-empossados secretários do GDF – Arlete Sampaio (SEDEST) e Hamilton Pereira (Cultura), com Chico Machado, responsável pela implementação do Orçamento Participativo, Willian Bonfim do Talher Nacional e Rede de Educação Cidadã e Maria Abadia, do Movimento de Educação e Cultura da Estrutural (MECE), da Marcha das Mulheres e Ponto de Memória.
Os representantes do governo recordaram os 16 anos de política clientelista, da privatização dos espaços públicos no GDF e dos desafios que isso implica para o novo governo. Se comprometeram em estabelecer uma nova relação com a sociedade e trabalhar de maneira intersetorial. Abadia e William ressaltaram a importância do diálogo do Estado com a Sociedade Civil e as contradições que acompanham essa relação, mas acreditam numa grande contribuição dos movimentos sociais nessa relação dialógica e de parceria com o GDF.
A partir da fala da mesa, a plenária problematizou questões relacionadas a operacionalização dos espaços de participação popular e da política intersetorial, levantaram a importância desse debate com a Secretaria de Educação (que não estava presente) e exigiram o compromisso de fomentar cada vez mais o diálogo.
No segundo dia do encontro, o grupo pôde fazer o diálogo com as demandas levantadas no primeiro trabalho em grupo com os princípios do Projeto Político Pedagógico (PPP) da Recid:
Fortalecimento das lutas e dos movimentos sociais populares; partir da realidade concreta enquanto compromisso com a diversidade; compromisso com o processo formativo para todas e todos as/os envolvidas e envolvidos, garantindo a intencionalidade política deste; o exercício de papéis diferentes entre educadoras/educadores e educandas/educandos, momentos de planejamento, de estudo aprofundado, de registro, de sistematização e de avaliação; dialogicidade; processo de educação popular como prática para a liberdade; compromisso com a emancipação popular.
Cada grupo pôde olhar para sua realidade, perceber a sua relação com os princípios e levantar proposições que atendam as suas aspirações e demandas.
A partir desses levantamentos será sistematizada previamente uma proposta, a luz dos debates do encontro, que aponte objetivos gerais e específicos, justificativa, metodologia e estrutura. Tal proposta deverá ser elaborada por um grupo de quatro pessoas (dois representantes da plenária, um representante da SEDEST e um representante da Recid-DFE) e por fim a proposta será avaliada num próximo encontro que ficou marcado para os dias 19 e 20 de fevereiro de 2011.
Grande abraço a todas e todos.
Até o próximo passo dessa caminhada!
Brasília, 19 de janeiro de 2011.
Diego Mendonça e Calimério Junior - Recid-DFE
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